As desculpas que vegans escutam (e a resposta pra cada uma delas)

carnista zumbi

Confira nossa lista das 88 desculpas carnistas mais frequentes, que veganos escutam todos os dias! E a resposta para cada uma delas  😉

Basta clicar no item desejado para ver a resposta.

  1. Não é saudável.
  2. Os leões comem zebras.
  3. É a minha escolha pessoal.
  4. O abate é indolor.
  5. O abate é humanitário.
  6. Eu nasci carnívoro.
  7. As plantas também têm sentimentos.
  8. Eu amo carne.
  9. Eu não gosto de animais.
  10. Eu tenho caninos pra quê?
  11. Hitler era vegetariano.
  12. Meus antepassados comiam carne.
  13. Tá na Bíblia!
  14. Sua vida é uma ilusão, vegan chato.
  15. Eu estou no topo da cadeia alimentar.
  16. Uma pessoa não muda nada.
  17. Ser vegano é muito caro.
  18. E se você estivesse em uma ilha?
  19. Se eu não comer carne, as vacas vão dominar o mundo.
  20. Veganos são muito chatos.
  21. Bacon é vida.
  22. Eu quero ser vegan, mas gosto muito de carne.
  23. Meus antepassados não criaram arco e flecha pra eu caçar repolho.
  24. Eu odeio comida vegana.
  25. Comida vegana é ruim.
  26. Eu já fui vegano, mas…
  27. Minha comida caga na sua.
  28. As plantações de soja também desmatam.
  29. Veganos também desmatam.
  30. Veganos também matam animais.
  31. Ser 100% vegano é impossível.
  32. Ninguém vai deixar de comer carne.
  33. E as proteínas?
  34. Veganos não têm fonte de proteína.
  35. Eu não consigo viver sem leite!
  36. Eu não consigo viver sem queijo!
  37. Veganos são muito radicais.
  38. Veganos são extremistas.
  39. Sem extremismos!
  40. Soja faz mal para saúde.
  41. Somos superiores aos animais.
  42. É o ciclo da vida.
  43. Nosso cérebro não seria tão grande.
  44. Comer carne nos tornou humanos.
  45. Suplementar B12 não é natural.
  46. E a B12?
  47. Os animais foram feitos pra isso.
  48. Meu corpo precisa de carne.
  49. Veganismo é religião.
  50. Faz parte do plano dos ILLUMINATIS para dominar o mundo.
  51. Veganos querem implantar uma Nova Ordem Mundial.
  52. Veganos são comunistas.
  53. Veganos são socialistas.
  54. Veganos são marxistas.
  55. Veganos querem a destruição da civilização humana.
  56. Veganismo é coisa de bichinha.
  57. Veganos são arrogantes.
  58. A moral é subjetiva.
  59. Comer carne é natural.
  60. Eu só consumo carne, leite e ovos orgânicos.
  61. Pare de impor suas crenças sobre mim!
  62. Veganos querem impor suas crenças sobre os outros.
  63. Os animais vão morrer um dia.
  64. Na natureza a morte seria pior.
  65. E o aborto?
  66. Veganismo é frescura!
  67. Ser vegano não adianta nada.
  68. Veganos são mimados.
  69. Veganos não podem tomar remédios ou vacinas.
  70. Sempre foi assim.
  71. Jesus comia peixes.
  72. É a lei natural.
  73. É a lei do mais forte.
  74. O veganismo é elitista.
  75. Veganismo é coisa de rico.
  76. No Brasil é diferente.
  77. Deus fez os animais pra gente comer.
  78. Veganos são sensacionalistas.
  79. Veganos são fanáticos.
  80. Sem a pecuária, alguns animais deixariam de existir.
  81. Veganos são apaixonados por ativismo.
  82. Veganos são muito emocionais.
  83. Veganos são fracos.
  84. Veganos são anêmicos.
  85. Veganos não podem ser atletas.
  86. O veganismo é uma utopia.
  87. Veganos são vitimistas.
  88. Animais não têm direitos.

Todo vegano tem que ser comunista?

A junção da proposta comunista com o objetivo final do veganismo, que consiste colocar um fim ao especismo, é um tanto problemática. Os defensores desta tese acreditam que o capitalismo é a gênese de toda a exploração animal e do especismo humano, portanto, tais condições seriam intrínsecas ao sistema econômico atual. Basicamente, é este o pensamento que se segue:

1. O especismo foi criado pelo capitalismo;

2. O capitalismo é responsável pelo especismo;

3. Não existe especismo fora do capitalismo;

4. O capitalismo deve ruir juntamente com o seu produto — o especismo;

5. É impossível ser abolicionista na conjuntura econômica capitalista.

Se a tese comunista é verdadeira, então os pressupostos acima também precisam ser. Deste modo, vamos analisar as três primeiras alegações.

1. O especismo foi criado pelo capitalismo;

2. O capitalismo é responsável pelo especismo;

3. Não existe especismo fora do capitalismo.

Há várias definições de especismo. Usarei aqui o seu conceito original, cunhado pelo psicólogo Richard Ryder, que definiu o especismo como a “discriminação contra as outras espécies”. Se o capitalismo inventou o preconceito especista, é inevitável supor que em outra época histórica isso jamais existiu. Mas isso é verdadeiro?

A resposta é muito direta: um sonoro não. A ideia de que os animais são inferiores pode ser verificada em tempos bem mais remotos, mesmo que não fosse expressa ou interpretada desta forma. Por exemplo, nas ilhas de Nova Guiné, que hoje já perderam muito de sua cultural original, sempre foi comum a morte de porcos a pauladas; e não apenas isso, estes animais sempre foram vistos ainda como um símbolo de “status” por quem o possuir:

“Pigs are not only bred for their meat, but they also represent social values and have even become a status symbolThe more pigs an individual has, the more pigs he can give away, leading to bigger feasts and a higher social status.” (grifo nosso) [1]

Outro comportamento relatado pelos historiadores é o uso dos animais — sua pele, carne e corpos — para fins meramente estéticos ou ritualísticos. Um bom exemplo disso é a utilização de penas de diversas aves pelas tribos indígenas:

“Geralmente, não matam as aves para comer, usam somente suas penas coloridas […] Nas tribos, onde as mulheres usam penas, são discretas, colocadas nos tornozelos e pulsos, geralmente em cerimônias especiais.” (grifo nosso) [2]

Ou seja, o uso dos animais como recursos já existia antes de qualquer invenção capitalista.

Mas ainda há a alegação de que a destruição ambiental é um produto capitalista; o que também não é verdade. A Ilha de Páscoa entrou em colapso após 1500 anos de civilização, devido ao desmatamento e a falta de água.

Aqui reside um erro muito comum no pensamento da política vegano-comunista brasileira: achar que as civilizações antigas viviam em “perfeito equilíbrio” com a natureza, sob a paz absoluta e sem quaisquer conflitos com os animais humanos ou não-humanos, ou seja, se crê que o mundo pré-capitalista era uma espécie de paraíso bíblico. Uma visão um tanto equivocada. E, para refutá-la, devo citar o antropólogo Napoleon Chagnon, que estudou as tribos ianomâmis durante anos, constatando que a vida humana nos períodos mais remotos era repleta de terror, guerra e medo.

Agora vamos analisar as proposições 4 e 5:

4. O capitalismo deve ruir juntamente com o seu produto — o especismo;

5. É impossível ser abolicionista na conjuntura econômica capitalista.

Crer que capitalismo é sinônimo de todas as mazelas humanas é uma visão deveras romântica, que desconsidera que a agressividade e a violência sempre foram uma constante em nossa espécie. Nada leva a crer que o especismo ruiria juntamente com o capitalismo, como que por consequência direta.

Vejamos: a alternativa proposta por alguns é a implantação do comunismo — o fim do dinheiro, do mercado e da propriedade privada.

Karl Marx, no Manifesto Comunista, deixa claro que, para que isso se realize, em um primeiro momento o Estado controlaria todos os bens sociais e materiais, através da força do proletariado. Sem querer entrar profundamente no mérito da questão, suponhamos que um dia tal utopia se realize.

Se o trabalhador fizesse tal revolução, per si, o especismo ainda prevaleceria. Os animais ainda seriam considerados como recursos, a serem usados pela humanidade.

O que quase ninguém diz é que o especismo é incorporado no pensamento de Karl Marx, que afirmava que somente seres humanos possuem consciência. Marx, pelo materialismo histórico, define que “humanos” se diferenciam dos “animais”, por terem “consciência” [3]. Marx considerava, erroneamente, que somente humanos podem criar ferramentas e “manipular” a natureza. Lev Vygotsky, psicólogo russo, se pautou em Marx e defendeu abertamente a tese especista de que apenas humanos têm consciência. Resumindo: o comunismo também pode ser especista.

As crenças humanas, sejam especistas ou não, existem em qualquer tipo de sistema. Cabe, então, o seu questionamento, através da filosofia abolicionista.

Jeremy Bentham, um liberal e defensor do livre mercado, foi um dos primeiros filósofos a apontar que conceder a espécie como critério para direitos poderia ser um equívoco.

Falar que o veganismo é impossível no capitalismo é como afirmar que é impossível não ser racista ou homofóbico no mundo capitalista.

Portanto, para concluir, sabe-se que o pensamento anticapitalista está presente em muitos movimentos políticos, e, de forma não surpreendente, chegou ao veganismo. Desta forma, os anticapitalistas passam a exigir dos veganos uma reforma estrutural e econômica, associando o veganismo a uma espécie de pureza individual ou evolução social, incorporando todas as lutas políticas do mundo inteiro em uma só. Tal visão megalomaníaca é absolutamente incompatível com qualquer tipo de luta política.

Abarcar todos os ideais em um só propósito não o fará mais viável ou palatável, pois aqui defende-se que o especismo acabará somente quando toda a exploração humana também o for, ou seja, tira-se o objeto principal de discussão – os animais não-humanos – para dar lugar às problemáticas humanas. Um desígnio, por mais nobre que possa parecer, que não conseguirá outra coisa a não ser atrasar o fim da exploração animal.

Referências

[1] Stichting Papua Cultureel Erfgoed (PACE). Pigs and Pig Ceremonies in New Guinea. Disponível em: <http://www.papuaerfgoed.org/en/Pigs_and_Pig_Ceremonies_in_New_Guinea>. Acesso em 05 de março de 2016.

[2] SIQUEIRA, Abdalla; DÉCIO, Thomaz. Atividade cultural na vida dos indígenas versus envelhecimento. BIUS-Boletim Informativo Unimotrisaude em Sociogerontologia, v. 3, n. 2, 2012, p. 47.

[3] MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. The german ideology. International Publishers Co, 1970, p. 41.

“Jesus comia peixes”, “Tá na Bíblia”

jesus-cristo

A desculpa de que alguém deve comer carne no século 21 porque Jesus Cristo supostamente comia peixes, ignora que a Bíblia também possui diversas passagens que incentivam o vegetarianismo, como

Gênesis 9:5

A todo aquele que derramar sangue, tanto ho­mem como animal, pedirei contas; a cada um pedirei contas da vida do seu próximo.

Isaías 66:3

Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro, como o que quebra o pescoço a um cão; quem oferece uma oblação, como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso, como o que bendiz a um ídolo. Porquanto eles escolheram os seus próprios caminhos, e tomam prazer nas suas abominações.

Isaías 1:11

Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes.

1 Coríntios 8:13

Pelo que, se a comida fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para não servir de tropeço a meu irmão.

E São Francisco de Assis disse:

“Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem. Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida.”
– Francisco de Assis

“Veganos querem a destruição da civilização humana”

A misantropia, a aversão aos seres humanos, tem múltiplas causas, se caracterizando por uma sensação subjetiva de repulsa aos humanos. É possível ser vegano e ser misantropo? Sim, mas tal condição não é intrínseca ao veganismo, porque este nunca defendeu o extermínio da espécie humana, pelo contrário, traz uma solução para o problema do abuso e da crueldade animal, ao ponto de dependermos de uma mudança comportamental ao veganismo para que não sejamos extintos da Terra.

No entanto, concordo que veganos novatos podem desejar constantemente a extinção da espécie humana. Não é fácil conhecer a realidade da exploração animal, generalizada e incapaz de ser mudada por decreto. Por outro lado, compreendo perfeitamente a misantropia humana, pois dá pra imaginar o que você sentiria sobre a espécie humana se estivesse na pele de uma vaca, uma galinha ou um peixe?

“A moral é subjetiva”

É verdade que há valores morais que são modificados ao longo da história – o que é “correto” em uma época, pode não ser em outra. Da mesma forma, há diferenças culturais a respeito do certo e do errado. Entretanto, isso não significa, de maneira nenhuma, que qualquer valor é relativo. Se assumimos tal relativismo moral, então absolutamente tudo passa a ser válido e imune à critica; estaria correto mutilar a genitália feminina em determinada cultura? Hitler tinha razão em propagar o extermínio de judeus em sua época? Definitivamente, não.

Pode-se dizer que, sim, há valores mutáveis, mas existem aqueles que são universais, pautados em ética, que estuda a moral. A ética guia o ser humano através daquilo que é racionalmente aceitável, procurando excluir as contradições presentes no discurso escravagista e exploratório, de animais humano e não-humanos, isto é, pauta-se na objetividade, ao invés do subjetivismo no qual tudo é válido.

“Eu só consumo carne, leite e ovos orgânicos”

Assim é a vida das galinhas criadas "soltas". (Via Free From Harm)
Assim é a vida das galinhas criadas “soltas”. (Via Free From Harm)

A ideia da carne, leite ou ovos orgânicos faz parte da mesma prateleira do suposto abate humanitário ou da pecuária sustentável.

Não existe um matadouro onde os animais dão pulos de alegria por terem a garganta cortada. Não há uma fazenda mágica onde as vacas dão leite sem gestação e pedem para que matem seu filho ou tomem seu leite. Assim como não existe galinha ou tartaruga pedindo que humanos consumam seus ovos.

Animais não são recursos, objetos, commodities, passíveis de venda, troca ou compra. E se você quer respeitar os animais, deve abolir a ideia de que eles estão no mundo para te servir.

“Veganos são anêmicos”

Dr. Eric Slywitch, médico e nutrólogo, responde…

Vegetarianos têm mais risco de ter anemia por falta de ferro?

Não, não tem! Há um grande estudo publicado por Hunt, em 2003, que demonstrou que a prevalência de anemia por falta de ferro é a mesma em vegetarianos e não vegetarianos. Mas como 1/3 da população mundial sofre carência do mineral, todos nós, vegetarianos ou não, devemos nos cuidar.

Saiba mais aqui.

“Soja faz mal para saúde”

soja-imagem

Para começar: a alimentação vegana não é baseada em soja. Temos uma ampla variedade de vegetais e receitas que não levam soja. Refutada tal ideia errônea, podemos responder a pergunta… Soja faz mal para saúde?

A questão é controversa na ciência. Porém, vejamos. 100 gramas de soja contém nutrientes importantíssimos para o nosso organismo, como magnésio, selênio, cálcio, vitamina B1, B2 e B6, vitamina K, potássio e fósforo. Além disso, a soja é uma excelente fonte de proteínas e alguns estudos têm sugerido que ela é capaz de reduzir a incidência do câncer de próstata [1, 2] e também de doenças cardíacas [3].

Por outro lado, o óleo de soja é rico em ômega 6, e alguns estudos sugerem que o seu excesso pode ser prejudicial para a saúde [4]. Além disso, algumas pesquisas apontam que a soja pode gerar alguns problemas menstruais em mulheres, como menstruação prolongada ou atrasada [5].

No entanto, devemos lembrar que estudos nutricionistas costumam ser bastante ambíguos, inconclusivos e até mesmo falsos, porque, muitas vezes, são feitos em camundongos ou em uma pequena amostra de humanos. Desta forma, é sensato concluir que a soja tem benefícios e malefícios – e isso não é uma novidade, afinal essa é uma característica de muitos alimentos.

Referências

[1] HWANG, Ye Won et al. Soy food consumption and risk of prostate cancer: a meta-analysis of observational studies. Nutrition and cancer, v. 61, n. 5, p. 598-606, 2009.

[2] LEE, Marion M. et al. Soy and isoflavone consumption in relation to prostate cancer risk in China. Cancer Epidemiology Biomarkers & Prevention, v. 12, n. 7, p. 665-668, 2003.

[3] ZHANG, Xianglan et al. Soy food consumption is associated with lower risk of coronary heart disease in Chinese women. The Journal of nutrition, v. 133, n. 9, p. 2874-2878, 2003.

[4] RAMSDEN, Christopher E. et al. n-6 fatty acid-specific and mixed polyunsaturate dietary interventions have different effects on CHD risk: a meta-analysis of randomised controlled trials. British Journal of Nutrition, v. 104, n. 11, p. 1586-1600, 2010.

[5] CASSIDY, Aedin; BINGHAM, Sheila; SETCHELL, K. D. Biological effects of a diet of soy protein rich in isoflavones on the menstrual cycle of premenopausal women. The American journal of clinical nutrition, v. 60, n. 3, p. 333-340, 1994.